Cerca de 8,7 mil artefatos indígenas apreendidos pela Polícia Federal, em 2004, durante uma operação para combater o contrabando internacional de objetos pertencentes aos povos originários do Brasil, foram doados ao Memorial dos Povos Indígenas, em Brasília. Os artefatos seriam negociados com colecionadores particulares da Europa e dos Estados Unidos (entenda ao final da reportagem).
Agora, pela primeira vez, parte deste acervo pode ser visto em uma exposição chamada “Mais de 12 mil Anos Nesta Terra“. Ao todo, 300 objetos fazem parte da mostra que está aberta à visitação deterças até domingos, das 9h às 17h, com entrada gratuita
Com a doação, o Memorial dos Povos Indígenas se tornou a segunda maior instituição na proteção e defesa da memória dos povos originários do Brasil, ficando atrás apenas do Museu do Índio, no Rio de Janeiro. Segundo o gerente do memorial, David Terena, a instituição “está muito feliz com a doação inédita”.
A história do Memorial dos Povos Indígenas
Memorial dos Povos Indígenas recebe doação da PF de mais de oito mil artefatos — Foto: Reprodução
O Memorial dos Povos Indígenas, em Brasília, foi projetado por Oscar Niemeyer. Construído em 1987, ele tem a forma de um maloca redonda dos índios Yanomami.
Antes de ser exclusivamente dedicado aos povos originários, o prédio chegou a funcionar como um museu de arte moderna. Mas lideres indígenas, intelectuais, artistas e pessoas ligadas à preservação da memória ancestral mobilizaram a opinião pública até que o local fosse novamente um espaço dedicado aos indígenas.
Em março de 1995, o espaço foi devolvido à administração do governo do Distrito Federal e em 19 de abril daquele ano, no “Dia do Índio”, representantes das tribos Karajá, Kuikuro, Terena e Xavante fizeram uma cerimônia marcando a retomada do memorial com seus objetivo iniciais. No entanto, o local só voltou a funcionar, de forma definitiva, em abril de 1999.
Memorial dos Povos Indígenas de Brasília
Endereço: Eixo Monumental Oeste, em frente ao Memorial JK